Joesley: “O Temer visto na TV é falso, na vida real eu pedia favores e temer pedia propinas; é o ladrão geral da República”

03/09/2017 05:000 comentários

joesley-batista-e-michel-temerMichel Temer é um ladrão, segundo Joesley Batista, que, até recentemente, era o maior empresário do Brasil.

Em sua entrevista à jornalista Thais Oyama, publicada neste fim de semana, Joesley também se assume criminoso, embora arrependido, e revela a natureza da sua relação com Michel Temer. “Era propina, ilícito. Ele me pedindo dinheiro, eu pedindo alguma coisa a ele no Ministério da Agricultura”, afirma.

Nunca antes na história do Brasil um ocupante da presidência da República foi acusado de forma tão direta por um grande empresário.

Em nota, Temer chamou Joesley de “grampeador-geral da República” e recebeu uma dura resposta, imediatamente, ao ser classificado pelo dono da JBS como “ladrão-geral da República” (saiba mais aqui).

Na guerra entre os dois, Temer usa a máquina do Estado para quebrar a J&F e afastar a família do comando de suas empresas. A Petrobras, por exemplo, cortou o gás de usinas da J&F (leia aqui), enquanto o BNDES, acionista minoritário da JBS, tenta derrubar o voto dos Batista, que são majoritários.

Nota de Joesley Batista

O empresário Joesley Batista, da JBS, divulgou na madrugada deste sábado (2) uma nota em que chama Michel Temer de “ladrão geral da República” e diz que o presidente não consegue se defender dos crimes que comete.

Joesley, cuja delação premiada serviu de base para que a Procuradoria-Geral da República apresentasse a primeira denúncia, por corrupção passiva, contra Temer, diz que a colaboração com a Justiça “é por lei um direito” que o presidente “tem por dever respeitar”.

“Atacar os colaboradores mostra no mínimo a incapacidade do senhor Michel Temer de oferecer defesa dos crimes que comete. Michel, que se torna ladrão geral da República, envergonha todos nós brasileiros”, diz a nota.

A declaração de Joesley é uma resposta à nota publicada na noite de sexta (1)pelo Palácio do Planalto para antecipar a defesa de Temer e desqualificar as delações do empresário e do operador Lúcio Bolonha Funaro, cujos depoimentos devem embasar a segunda denúncia contra o presidente.

Segundo o Planalto, os irmãos Batista mentiram e omitiram dados dos procuradores e, mesmo assim, “continuam tendo o perdão eterno” do procurador-geral, Rodrigo Janot.

Isso porque Joesley decidiu entregar esta semana aos investigadores novos áudios de conversas que teve com políticos para complementar seu acordo de colaboração com a Justiça.

Para o Planalto, a delação de Funaro, ainda sob sigilo, tem “inconsistências” e “incoerências” e representa uma “vontade inexorável” de Janot perseguir o presidente.

ESTRATÉGIA

A suposta cruzada pessoal do procurador-geral contra Temer e o passado de Funaro, que já foi desacreditado pelo Ministério Público Federal há um ano, serão usados na defesa do presidente, que decidiu antecipar seu retorno de uma viagem à China diante da possibilidade de a nova denúncia contra ele ser apresentada na próxima semana.

A delação de Funaro está sob sigilo e deve ser homologada nos próximos dias pelo Supremo Tribunal Federal. Em seus depoimentos, o operador afirma que recebeu R$ 400 mil da JBS para se manter em silêncio, mas ainda não está claro se Funaro atribui a ordem do pagamento a Temer, ou implica o presidente em qualquer outro crime.

Na nota, Joesley não cita nenhum dado em relação a Funaro.

Antes de fechar o acordo com os investigadores, o operador havia dito à Polícia Federal no mês passado que os pagamentos foram feitos para quitar uma dívida antiga com a JBS, visto que intermediou negócios da empresa.

A versão se chocava com a do próprio Joesley, que disse que pagava para que o operador e o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ) permanecessem calados. O empresário diz ainda que relatou os repasses em conversa gravada entre ele e Temer no Palácio do Jaburu, em março.

Os procuradores também avaliaram que a primeira versão de Funaro sobre os R$ 400 mil não fazia sentido visto que sua irmã, Roberta, foi escalada para receber o dinheiro dentro de um táxi, de forma ilegal. Não seria assim se não houvesse alguma irregularidade, avaliaram os investigadores.

Temer, que nega qualquer ilegalidade, diz, via assessoria, que “se resguarda o direito de não tratar de ficções e invenções de quem quer que seja”.

Veja a íntegra da nota de Joesley:

“A colaboração premiada é por lei um direito que o senhor presidente da República tem por dever respeitar. Atacar os colaboradores mostra no mínimo a incapacidade do senhor Michel Temer de oferecer defesa dos crimes que comete. Michel, que se torna ladrão geral da República, envergonha todos nós brasileiros.”

Brasil 247 e Folha UOL
Foto: Reprodução da Internet

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