TRAGÉDIA NA PB – Rebelião, fugas e sete adolescentes mortos no “Lar do Garoto”

04/06/2017 10:170 comentários

Lár do GarotoUma tragédia foi registrada na madrugada deste sábado (03/06), no centro educacional Lar do Garoto, em Lagoa Seca, no Agreste paraibano.

Segundo a polícia, uma fuga em massa aconteceu por volta das 2h30, onde 17 internos escaparam da unidade. Em seguida, grupos rivais iniciaram uma briga dentro da unidade. Os internos atearam fogo em colchões e móveis. Durante o tumulto, sete jovens forram mortos, tiveram seus corpos esquartejados e carbonizados.

A rebelião ainda deixou saldo de dois feridos que foram encaminhados para um hospital da cidade. Um deles, de 16 anos, foi vítima de agressão física e teve que passar por uma cirurgia para drenagem de uma hemorragia no tórax. Seu quadro é estável. O outro adolescente, de 17 anos, também foi vítima de agressão e está sendo avaliado por uma equipe de ortopedistas.

Segundo o vice-diretor do centro socioeducativo, Francisco Souza, a unidade tem capacidade para 44 internos, mas abrigava 220. A Polícia divulgou os nomes dos jovens mortos durante o motim: Felipe Lima Mendes, Gabriel Eduardo Cardozo, Gabriel Moreira da Silva, João Vitor Pereira, José Douglas da Silva, Leandro Ferreira Pinto e Renan Oliveira Alves.

O Governo do Estado emitiu uma nota, nesse sábado (3), onde lamenta a morte de sete de adolescentes durante uma rebelião no Centro Socioeducativo Lar do Garoto, em Lagoa Seca, região metropolitana de Campina Grande.

No comunicado, o Estado informa que tomará todas as providências em busca de elucidar os fatos e punir responsáveis.

Veja a nota:

O Governo do Estado da Paraíba vem a público lamentar o ocorrido na unidade Lar do Garoto, neste sábado (3), e informar que tomará todas as providências cabíveis para apuração exata de todo o fato e, consequentemente, punição, no âmbito administrativo, dos responsáveis por eventuais omissões, negligências ou excessos. No entanto, não admitirá que instituição alguma se revista do direito absoluto da verdade e possa apontar o dedo acusatório sem antes mesmo olhar-se no espelho.

Este é um problema que chama todas as instâncias de poder à responsabilidade, incluindo o Poder Judiciário, que tem a obrigação, por exemplo, de respeitar os prazos para liberação dos menores infratores com internações cumpridas, combatendo a superlotação nesta e em outras unidades.

A Unidade Lar do Garoto oferece aulas, atividades ocupacionais e profissionalizantes (pastelaria, confeitaria, confecção de sapatos, bombeiro hidráulico), inclusive em parceria com o Ministério Público do Trabalho. Existem, no entanto, dezenas de pedidos de liberação sem apreciação por parte do Judiciário. E internos que já ultrapassaram o tempo legal de internação.

Mesmo assim, o Estado não foge às suas responsabilidades e não busca, na tentativa de esconder as próprias carências, transferir exclusivamente para um ou outro poder ou segmento as causas de um problema que é bem mais complexo. A questão da vulnerabilidade dos jovens é um problema que demanda esforços de todos os entes federados, desde à União, com uma política nacional sólida, até, e principalmente, aos municípios, que deveriam contribuir com uma política profunda nos campos da educação, esporte, cultura e lazer.

Este, por sua vez, é um governo que já entregou e está construindo escolas técnicas estaduais profissionalizantes; que já entregou mais de 2.500 novas salas de aulas, muitas delas em escolas cidadãs integrais; que construiu centros de convivência coletiva como o Parque Bodocongó, em Campina Grande, além de centros esportivos como a Vila Olímpica, em João Pessoa; que forma centenas de crianças e adolescentes no Programa de Inclusão Através da Músicas e Artes (PRIMA); que já enviou adolescentes das escolas públicas para intercâmbio no Canadá, entre tantos outros programas e ações, e que foi o único estado do Brasil a reduzir por cinco anos seguidos o índice de homicídios.

Por fim, longe do debate reducionista que venha a ser apresentado, o governo se solidariza com as famílias das vítimas da rebelião causada após contenção de fuga na unidade e reafirma seu compromisso em continuar lutando pela garantia de oportunidades para nossas crianças e jovens. Com clareza e coragem. E sem hipocrisia.

Da redação com informações
Folha de São Paulo, Paraíba On-Line, Blog do Gordinho e G1

 

 

 

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