Voto nulo não anula eleições; ao contrário do que muitos acreditam com posts na internet

11/10/2017 15:120 comentários

urnaVoto nulo do eleitor não anula nenhuma eleição. A mentira deslavada e irresponsável de que o voto nulo dos eleitores quando alcança 50% dos votantes, mais um, anula a eleição, está disseminada na internet bem como no senso comum das massas. Pura mentira! Campanha estelionatária.

Se todos os eleitores raivosos deliberarem anular o voto e um só candidato votar nele mesmo, ele está eleito. Será proclamado vencedor e vai assumir o cargo disputado (com um único voto).

Os votos nulos dos eleitores podem alcançar 99,99% dos votantes. Isso não anula nenhuma eleição. Os votos em branco não vão para o primeiro colocado. O povo consciente não pode se iludir com essas “fake news” (notícias falsas).

De acordo com o art. 224 do Código Eleitoral, a eleição somente será anulada quando o juiz (o juiz, repita-se) declarar a nulidade de mais da metade dos votos por ter havido fraude, compra massiva de votos, abuso do poder econômico, cancelamento de candidatura etc.

A nulidade de uma eleição só acontece quando há uma decisão judicial nesse sentido. Não são os votos nulos (ou em branco) dos eleitores que anulam a eleição. Não podemos ser tolos, muito menos na era da pós-verdade.

O voto nulo, em branco ou mesmo a abstenção, em 2018, só favorece os candidatos e partidos envolvidos na corrupção. A campanha falsa de que o voto nulo anula a eleição só reforça as forças corruptas da nação (que estão fazendo de tudo para se manterem no poder).

Todas as pesquisas apontam para o total descrédito dos políticos e dos partidos acusados de estarem envolvidos na Lava Jato. Isso significa que o eleitor minimamente consciente e vigilante vai promover a maior faxina de todos os tempos nos corruptos. A faxina será muito contundente.

Nossa bandeira do #VotoFaxina, com amplíssima renovação do Congresso Nacional, tem tudo para alcançar uma retumbante vitória.

Em 2016 a Lava Jato ainda estava centrada na corrupção petista, sobretudo dentro da Petrobras. O castigo eleitoral contra o PT foi duríssimo. Todas as classes sociais puniram o PT. De 3º passou a ser o 10º partido no Brasil (em número de prefeituras). Desde o vazamento da primeira delação premiada da Odebrecht, entretanto, que ocorreu no final de 2016, sabe-se que o lamaçal da corrupção alcançou as cúpulas de todos os grandes partidos, como o PSDB, PT, PMDB, DEM etc. Desde sempre, diga-se de passagem.

A perversidade e a promiscuidade disseminaram-se “democraticamente”. Os caciques mais conhecidos (de esquerda, de centro ou de direita) estão todos chafurdados na lama da peste corruptiva. A delação da JBS jogou mais gasolina nessa fogueira.

Nesse contexto de ódio, ressentimento e recusa geral do velho jeito corrupto de fazer política e negócios com o Estado, percebe-se facilmente a quem interessa disseminar notícias falsas sobre votos nulos ou em branco.  A quase totalidade dos velhos gângsters da política brasileira (pouco importando a ideologia) estão tão refutados quanto os bandidos de mão armada.

O espaço está aberto para novas lideranças comprometidas com o combate à corrupção e às desigualdades. O império da lei está chegando para as velhas forças corruptas do país. Continuamos no auge da corrupção (mesmo após três anos de Lava Jato). No Planalto ou no Jaburu, por exemplo, as negociatas para salvar o Presidente Temer, Padilha e Moreira Franco não param. Tudo eles fazem para escaparem da polícia e da Justiça.

Mas há uma boa notícia: agora também estamos vendo o início da limpeza. Lento e gradual, mas efetivo. A Lava Jato vai colocar muito mais gente na cadeia, seguramente, mas a faxina geral mesmo ficará por conta do eleitor.

Voto faxina neles em 2018! Nada de voto nulo ou em branco ou abstenção. A hora é de votar massivamente, impondo-se um incisivo castigo eleitoral em todos os corruptos.

Congresso em Foco
Por:

Luiz Flávio Gomes *Jurista e professor. Fundador da rede de ensino LFG, preside o Instituto Avante Brasil. Foi promotor de justiça (1980 a 1983), juiz de direito (1983 a 1998) e advogado (1999 a 2001). 

 

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